segunda-feira, 7 de junho de 2010

Semana de 01 a 07 de junho

O que Muda com a Graduação?
Anteriormente ao PEAD, havia participado de extensões à distância e formações na área de Informática educativa, portanto, nem o meio, nem os recursos - ambiente virtual, computadores e mídias - me assustaram, não foi isso que mudou.

No início, a mudança ficou por conta das expectativas quanto ao meu desempenho; passou em seguida pela preocupação quanto a organização do tempo, pois baseada nas experiências anteriores, sabia o quanto demandava de dedicação um curso desse porte. Mas, quatro anos, "como se quera, se passa", já dizia um "velho deitado" uruguayo.

Também, como um ex-professor, me escreveu certa vez: "Por traz de tantas inseguranças, talvez incertezas, és moça tranqüila. Convicta dos teus sentimentos e dos teus ideais (...)". Como tal, foi com tranqüilidade que aceitei o desafio e, em menos de um mês, me preparei para o “vestibular” de abril. Passei em oitavo lugar. Até aí, nenhuma mudança.

A mudança começou realmente com a reorganização da rotina pessoal, profissional e estudantil. Não apenas para as cadeiras regulares, mas também, para as extensões que confeririam créditos complementares.

O investimento humano e de tempo, se justifica, pela melhora na qualidade do fazer docente, no reconhecimento das capacidades profissionais e mudança de nível no Estado. Estas sim, foram e serão mudanças tangíveis, nas quais giravam minhas expectativas, no começo.

Existe uma mudança de status com uma graduação; há mais segurança ao se escolher essa ou aquela ação pedagógica frente às diferentes problemáticas apresentadas pelos alunos; ao mesmo tempo, certas práticas, por não virem acompanhadas do aporte teórico adequado, para realizar um convencimento, são julgadas com descaso pelos pares dentro da escola. A partir do empoderamento dado pelo curso de Pedagogia, essas práticas podem ser localizadas e ancoradas pela teoria, mudando esse status frente ao grupo.

Foi nesse espaço de movimentação, frente à mudança do grupo de trabalho em relação a mim, que pude perceber as minhas mudanças. Mudanças refletidas no ser e no fazer como educadora; negar que a graduação seja o catalisador dessas mudanças é negar as próprias mudanças.

Já havia lido muitos dos conteúdos apresentados, fato que me deixou um pouco desmotivada, no princípio, porém o desafio não estava nos conteúdos e, sim em atingir o entendimento, a metacognição, elaborando meu próprio conhecimento sobre esses conteúdos. Pois, no início faltavam o polimento acadêmico, o poder de reflexão, de síntese e a atribuição adequada de autoria. Com o passar do tempo, aprendi a me posicionar melhor, na fala e na escrita, buscando argumentos válidos e sustentados por autores que viessem ao encontro do meu pensamento, a fim de dar-lhe credibilidade.

Mudei a percepção sobre mim mesma, pois meu pensamento é muito importante. Ele não é resultado do acaso e sim, de uma construção pessoal, resultado da bagagem que carrego, expressado com a segurança e o respaldo de outros educadores que, antes de mim, observaram, constataram e desenvolveram teorias sobre a aprendizagem e o próprio sistema educacional. Teorias, das quais me valho hoje para movimentar-me na escola, com o respeito, concordância e parcerias, para promover as mudanças em que acredito.

Chegando ao fim do curso com a tranqüilidade do saber construído, do burilamento e da segurança em ter objetivos bem definidos, refletindo-se na prática do estágio. Prática, cujos desafios não se resumem em elaborar um planejamento, uma reflexão sobre a prática e uma avaliação.

Desafios muito mais amplos como lidar com crianças vindas de realidades econômicas e sociais diferentes; com etapas cognitivas e condutas distintas frente à própria aprendizagem; etc. Analisar e buscar estratégias mais adequadas para lidar com realidades de anos/séries diferentes, na rotatividade de um Laboratório de Informática, não é tarefa fácil, mas acredito ter encontrado o" caminho da roça" para continuar me instrumentalizando, para enfrentá-la.

Instrumentalização que não cessará com a conclusão dessa graduação, mas que é o trampolim para buscar mais e mais qualificação.

Foi, apenas, isso que "começou" a mudar com a graduação.

Pouca coisa, né?

(Texto adaptado do e-mail enviado em 06/06/10 para a Tutora Daniela Caletti)

2 comentários:

  1. Olá Mara querida,

    Ser professor é...
    "questionar a própria prática, buscar uma melhor qualidade de vida, enriquecer o conhecimento cotidiano, assumir a responsabilidade social da educação, dialogar com a incerteza e aceitar que é preciso sempre aprender, ou seja, ser um inovador". (Délcia Enricone)

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  2. ... É verdade!
    Bjs no coação, Mara.

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